Acidente nuclear de Fukushima I
1 Acidente nuclear de Fukushima I
O acidente nuclear de Fukushima Daiichi (福 島 第 一 原 子 力 発 電 所 事 故, Fukushima Dai-ichi ?pronúncia genshiryoku hatsudensho jiko?) diz respeito a uma série de falhas de equipamentos da Central Nuclear de Fukushima I, no Japão, e de lançamentos de materiais radioativos no ambiente, em consequência dos danos causados pelo sismo de Tōhoku, seguido de tsunami, que ocorreu às 14:46 JST em 11 de março de 2011.[1] A central nuclear é composta por seis reatores de água fervente em separado mantidos pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO). Os reatores 4, 5 e 6 haviam sido fechados para manutenção antes do terremoto. Os reatores restantes foram fechados automaticamente após o terremoto e geradores de emergência foram iniciados para manter as bombas de água necessárias para resfriá-los. A central foi protegida por um dique projetado para resistir a um maremoto de 5,7 metros de altura, mas cerca de 15 minutos após o terremoto foi atingido por uma onda de 14 metros, que chegou facilmente ao topo do paredão. A planta inteira, incluindo o gerador de baixa altitude, foi inundada. Como consequência, os geradores de emergência foram desativados e os reatores começaram a superaquecer devido à deterioração natural do combustível nuclear contido neles. Os danos causados pela inundação e pelo terremoto impediram a chegada da assistência que deveria ser trazida de outros lugares.
Causas
Mapa mostrando o epicentro do terremoto e a posição das centrais nucleares afetadas.
Devido à falta de arrefecimento pela água, os reactores, mesmo desactivados, aqueceram levando a uma fusão parcial do núcleo nos reatores 1, 2 e 3; explosões de hidrogênio destruíram o revestimento superior dos edifícios de alojamento dos reatores 1, 3 e 4; uma explosão danificou o confinamento dentro do reator 2; e múltiplos incêndios eclodiram no reator 4. Além disso, as barras de combustível armazenado em piscinas de combustível irradiado das unidades 1-4 começaram a superaquecer os níveis de água nas piscinas abandonadas. Receios de vazamentos de radiação levaram a uma evacuação de 2000 km de raio ao redor da planta. Os trabalhadores da fábrica sofreram exposição à radiação e foram temporariamente evacuados em vários momentos. Em 11 de abril, as autoridades japonesas designaram a magnitude do perigo em reatores 1, 2 e 3 no nível 7 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES).[2] A energia foi restaurada para partes da central nuclear em 20 de março, mas máquinas danificadas por inundações, incêndios e explosões permaneceram inoperantes.[3]
Acidente nuclear de Fukushima I 2
Reações Medições realizadas pelo Ministério da Ciência e Educação do Japão nas áreas do norte do Japão entre 30 e 50 km da área apresentaram níveis altos de césio radioativo, suficientes para causar preocupação. Alimentos produzidos na área foram proibidos de serem vendidos. Foi sugerido que as medições mundiais de iodo-131 e de césio-137 indicaram que os lançamentos radioativos de Fukushima são da mesma ordem de grandeza que os lançamentos de isótopos do desastre de Chernobil em 1986; O governo de Tóquio recomendou que a água da torneira não deve ser usada temporariamente para preparar alimentos para crianças. Contaminação por plutônio[4] foi detectada no solo em dois locais da central nuclear. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou em 27 de março que os trabalhadores da central foram internados por precaução, em 25 de março, por terem sido expostos a níveis de radiação entre 2 e 6 Sv em seus tornozelos quando em pé na água na unidade 3. A reação internacional ao acidente também era preocupante. O governo japonês e a TEPCO têm sido criticados por má comunicação com o público e esforços de limpeza improvisados. Especialistas dizem que uma força de trabalho de centenas ou mesmo milhares levariam anos ou décadas para limpar a área. Em 20 de março, o chefe de gabinete do secretário Yukio Edano anunciou que a estação seria desativada logo que a crise acabar.
Situação em 2014
Vazamentos de material radioativo Em 9 de abril de 2013, houve vazamento de água radioativa proveniente dos tanques subterrâneos de armazenamento, contaminando o solo e as água nas proximidades. A Tepco informou que o vazamento havia sido mínimo e que fora controlado, sendo que a água radioativa já havia sido armazenada numa área restrita. Na ocasião, a usina de Fukushima já tinha armazenado mais de 270 mil toneladas de água altamente radioativa, consumindo mais de 80% da capacidade de armazenamento da usina. A Tepco adiantou que a quantidade de água contaminada deve dobrar nos próximos três anos e que planeja atender a demanda de armazenamento através da construção de centenas de tanques de água adicionais, em meados de 2015.[5] Três meses depois, em 9 de julho, a Tepco informou que o nível de césio radioativo da água de um poço na área da usina era 90 vezes maior do que três dias antes, e que a água contaminada poderia se espalhar pelo Oceano Pacífico. A Tepco também informou que os níveis de césio-134 na água do poço estavam em 9.000 becquerels por litro, ou seja, 150 vezes o nível máximo permitido. Já o nível de césio-137 atingira 18.000 becquerels - 200 vezes o nível permitido. Foram os mais altos níveis de césio apresentados desde o desastre de março de 2011.[6]
Contaminação do Oceano Pacífico
A Tepco usa diariamente um grande volume de água para refrigerar os reatores da usina que foram desativados após o acidente. Toda essa água é armazenada em mais de mil tanques construídos no local. Em contato com as varetas de combustível nuclear, a água se torna altamente radioativa e precisa ser armazenada em grandes tanques, onde passa por um processo de purificação. 400 toneladas de água radioativa são produzidas a cada dia em Fukushima. Em agosto de 2013, quase dois anos e meio após o acidente nuclear, verificaram-se vários vazamentos de material radioativo e, ainda, a possibilidade de um grande transbordamento de água contaminada com material radioativo para o Oceano Pacífico, colocando em estado de emergência o complexo nuclear de Fukushima e acirrando as pressões sobre a Tepco. O governo do Japão acredita que os vazamentos de água estejam ocorrendo há dois anos.[7] A Tepco havia construído uma barreira subterrânea junto ao mar, mas a água proveniente dos reatores danificados está passando por cima da estrutura de contenção. Segundo um dirigente do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o volume de água despejado diariamente no Pacífico é de aproximadamente 300 toneladas. Segundo o jornal Asahi Shimbun, uma força-tarefa do governo japonês calculou em três semanas o prazo para a água
contaminada chegar à superfície.[8][9]
Nos últimos dois meses, a Tepco tem trabalhado com o Governo numa solução que consiste em congelar o solo em volta dos reatores, para impedir a saída de água radioativa e seu contacto com a água limpa que vem das montanhas. Para isso, será necessário fazer perfurações no solo e injetar um fluido refrigerante, num perímetro de 1,4 km. A metodologia nunca foi testada nessa escala e poderá custar 40.000 milhões de ienes (310 milhões de dólares). Até pouco tempo atrás, a Tepco dizia que conseguira manter a água radioativa na região da usina e que havia sido bem sucedida em evitar que essa água fosse para o oceano. Tal afirmação foi contestada, e a Tepco afinal admitiu que provavelmente parte da água contaminada estaria vazando para o mar.[10] No final de agosto, um vazamento dessa água radioativa usada no resfriamento de um dos reatores danificados fez a Tepco elevar o nível de risco de 1 para 3, na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (conhecida como escala Ines, sigla de International Nuclear and Radiological Event Scale), que vai até 7.
De fato já houve pelo menos quatro vazamentos semelhantes. Aparentemente, a causa desses eventos está na vedação dos tanques de armazenamento. Segundo Neil Hyatt, professor da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, "para manter o ritmo de armazenamento da água radioativa, a Tepco optou por usar tanques com vedação plástica. Rachaduras nessas vedações foram as causas no vazamento". Acredita-se que 30% dos tanques tenham sido construídos dessa forma. [] [1] Black, Richard.
"Fukushima - disaster or distraction?" (http:/ / www. bbc. co. uk/ news/ science-environment-12789749) BBC News. 18 de março de 2011 excerpt, "Japan's nuclear safety agency has uprated its assessment of the Fukushima power station incident from a level four to a level five .... Level five is defined as an 'accident with wider consequences'." Compare "Japan's unfolding disaster 'bigger than Chernobyl'," (http:/ / www. nzherald. co. nz/ world/ news/ article. cfm?c_id=2& objectid=10716671) New Zealand Herald. 2 de abril de 2011. [2] 'Japan to Raise Alert Level of Nuclear Crisis' (http:/ / www. nytimes. com/ aponline/ 2011/ 04/ 11/ world/ asia/ AP-AS-Japan-Earthquake-Rating. html) BBC News online 18 March 2011. [3] Stricken Reactors May Get Power Sunday (http:/ / online. wsj. com/ article/ SB10001424052748704021504576210251376606080. html?mod=googlenews_wsj), Wall Street Journal, 19 March 2011 [4] Japan mulls Fukushima food ban: IAEA (http:/ / www. reuters. com/ article/ 2011/ 03/ 19/ us-japan-nuclear-food-idUSTRE72I1X120110319), Reuters, 19 March 2011 [5] Russia Today. Radioactive water leaks from Fukushima nuclear plant (http:/ / www. dw. de/ radioactive-water-leaks-from-fukushima-nuclear-plant/ a-16725927) [6] Radioactive cesium level soars 90-fold at Fukushima in just 3 days (http:/ / rt. com/ news/ radiation-levels-soar-fukushima-839/ ). RT, 9 de julho de 2013. [7] Usina de Fukushima libera água contaminada no mar "há 2 anos", diz Japão (http:/ / br. reuters. com/ article/ topNews/ idBRSPE97601020130807). Reuters, 7 de agosto de 2013. [8]
Vazamento de água radioativa cria nova emergência em Fukushima. Agência reguladora denuncia gestora do complexo por contaminação do lençol freático (http:/ / oglobo. globo. com/ mundo/ vazamento-de-agua-radioativa-cria-nova-emergencia-em-fukushima-9354686). O Globo, 5 de agosto de 2013. [9] Governo japonês vai intervir em Fukushima para conter água radioactiva (http:/ / www. publico. pt/ ecosfera/ noticia/ governo-japones-vai-intervir-em-fukushima-para-conter-agua-radioactiva-1602454). Público, 7 de agosto de 2013. [10] Fukushima libera 300 ton de água contaminada no mar (http:/ / www. estadao. com. br/ noticias/ internacional,fukushima-libera-300-ton-de-agua-contaminada-no-mar,1061471,0. htm). Estadão, 7 de agosto de 2013.
Fontes e Editores da Página 4
Acidente nuclear de Fukushima I Fonte: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?oldid=39204679 Contribuidores: AngeloFaccine, Arthux13, ChristianH, Chronus, CommonsDelinker, Dark-Y, Eduardofeld, HVL, Holdfz, Japf, Marcos Elias de Oliveira Júnior, Renato de carvalho ferreira, Rodrigolopes, Schekinov Alexey Victorovich, Stuckkey, Takeshi-br, Vitor Mazuco, Yone Fernandes, Zdtrlik, Érico Júnior Wouters, 47 edições anónimas Fontes, Licenças e Editores da Imagem Ficheiro:Loudspeaker.svg Fonte: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ficheiro:Loudspeaker.svg Licença: Public Domain Contribuidores: Bayo, Frank C. Müller, Gmaxwell, Gnosygnu, Graphium, Husky, Iamunknown, Mirithing, Myself488, Nethac DIU, Nixón, Omegatron, Rocket000, Shanmugamp7, Snow Blizzard, Steinsplitter, The Evil IP address, Túrelio, Wouterhagens, 29 edições anónimas Ficheiro:JAPAN EARTHQUAKE 20110311.png
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Efeitos na Natureza
Este Blog tem a finalidade de denunciar crimes ambientais e desenvolver a consciência ecológica nos seus visitantes permitindo a participação como colaboradores
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Three Mile Island
Three Mile Island 1 Three Mile Island
Three Mile Island.
Three Mile Island é a localização de uma central nuclear que em 28 de Março de 1979 sofreu uma fusão parcial, havendo vazamento de radioatividade para a atmosfera. A central nuclear de Three Mile Island fica na ilha no Rio Susquehanna no Condado de Dauphin, Pensilvânia, próximo de Harrisburg, com uma área de 3,29 km².
O acidente O acidente ocorrido em 28 de março de 1979, na usina nuclear de Three Mile Island, estado da Pensilvânia nos Estados Unidos, foi causado por falha do equipamento devido a falhas no sistema secundário nuclear e erro proposital. Houve corte de custos que afetaram economicamente a manutenção e uso de materiais inferiores. Mas, principalmente apontaram-se erros humanos, com decisões e ações erradas tomadas por pessoas não preparadas O acidente desencadeou-se pelos problemas mecânico e elétrico que ocasionaram a parada de uma bomba de água que alimentava o gerador de vapor, que acionou certas bombas de emergência que tinham sido deixadas fechadas. O núcleo do reator começou a se aquecer e parou e a pressão aumentou. Uma válvula abriu-se para reduzir a pressão que voltou ao normal. Mas a válvula permaneceu aberta, ao contrário do que o indicador do painel de controle assinalava. Então, a pressão continuou a cair e seguiu-se uma perda de líquido refrigerante ou água radioativa: 1,5 milhão de litros de água foram lançados no rio Susquehanna. Gases radioativos escaparam e atingiram a atmosfera. Outros elementos radioativos atravessaram as paredes. Um dia depois foi medido a radioatividade em volta da usina que alcançava até 16 quilômetros com intensidade de até 8 vezes maior que a letal. Apesar disso,o governador do estado da Pensilvânia iniciou a retirada só dois dias depois do acidente. O governador Dick Thornburgh aconselhou o chefe da NRC, Joseph Hendrie, a iniciar a evacuação "pelas mulheres grávidas e crianças em idade pré-escolar em um raio de 5 milhas ao redor das instalações". Em poucos dias, 140.000 pessoas haviam deixado a área voluntariamente.
Fatos Interessantes •
• Treze dias antes havia sido lançado o filme "Síndrome da China" com Jane Fonda, que muitos consideraram como premonitório da catástrofe na usina nuclear, inclusive sendo usado suas cenas pelo jornalistas da TV para ilustrar a cobertura do acidente. •
• O acidente nuclear nesta central foi considerado o mais grave, até ser superado pela ocorrência em Chernobyl e agora também por Fukushima. •
• No filme X-Men Origens: Wolverine, a usina é usada para um centro fictício de mistura genética dos mutantes, para criação de mutantes assassinos.
Fontes e Editores da Página 2 Fontes e Editores da Página
Three Mile Island
Fonte: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?oldid=39142721 Contribuidores: Alexg, Arthemius x, Chicocvenancio, Indech, Mschlindwein, PauloEduardo, Pmpepe, Ralile, Stuckkey, Zdtrlik, Érico Júnior Wouters, 38 edições anónimas Fontes, Licenças e Editores da Imagem
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Three Mile Island.
Three Mile Island é a localização de uma central nuclear que em 28 de Março de 1979 sofreu uma fusão parcial, havendo vazamento de radioatividade para a atmosfera. A central nuclear de Three Mile Island fica na ilha no Rio Susquehanna no Condado de Dauphin, Pensilvânia, próximo de Harrisburg, com uma área de 3,29 km².
O acidente O acidente ocorrido em 28 de março de 1979, na usina nuclear de Three Mile Island, estado da Pensilvânia nos Estados Unidos, foi causado por falha do equipamento devido a falhas no sistema secundário nuclear e erro proposital. Houve corte de custos que afetaram economicamente a manutenção e uso de materiais inferiores. Mas, principalmente apontaram-se erros humanos, com decisões e ações erradas tomadas por pessoas não preparadas O acidente desencadeou-se pelos problemas mecânico e elétrico que ocasionaram a parada de uma bomba de água que alimentava o gerador de vapor, que acionou certas bombas de emergência que tinham sido deixadas fechadas. O núcleo do reator começou a se aquecer e parou e a pressão aumentou. Uma válvula abriu-se para reduzir a pressão que voltou ao normal. Mas a válvula permaneceu aberta, ao contrário do que o indicador do painel de controle assinalava. Então, a pressão continuou a cair e seguiu-se uma perda de líquido refrigerante ou água radioativa: 1,5 milhão de litros de água foram lançados no rio Susquehanna. Gases radioativos escaparam e atingiram a atmosfera. Outros elementos radioativos atravessaram as paredes. Um dia depois foi medido a radioatividade em volta da usina que alcançava até 16 quilômetros com intensidade de até 8 vezes maior que a letal. Apesar disso,o governador do estado da Pensilvânia iniciou a retirada só dois dias depois do acidente. O governador Dick Thornburgh aconselhou o chefe da NRC, Joseph Hendrie, a iniciar a evacuação "pelas mulheres grávidas e crianças em idade pré-escolar em um raio de 5 milhas ao redor das instalações". Em poucos dias, 140.000 pessoas haviam deixado a área voluntariamente.
Fatos Interessantes •
• Treze dias antes havia sido lançado o filme "Síndrome da China" com Jane Fonda, que muitos consideraram como premonitório da catástrofe na usina nuclear, inclusive sendo usado suas cenas pelo jornalistas da TV para ilustrar a cobertura do acidente. •
• O acidente nuclear nesta central foi considerado o mais grave, até ser superado pela ocorrência em Chernobyl e agora também por Fukushima. •
• No filme X-Men Origens: Wolverine, a usina é usada para um centro fictício de mistura genética dos mutantes, para criação de mutantes assassinos.
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Fukushima Vs Chernobyl
Chernobyl, União Soviética, 26 de abril de 1986, 1h23 pelo
horário local. O reator 4 da usina nuclear sofre um catastrófico aumento de
potência e o núcleo explode várias vezes, liberando gás xenônio, metade da
carga de iodo-131 e de césio-137 e pelo menos 5% do material radioativo
restante. Os 50 mil habitantes de Pripyat são retirados às pressas,
transformando-a em uma cidade-fantasma. Uma nuvem de radiação — 100 vezes maior
que a das bombas de Hiroshima e Nagasaki — espalha-se sobre a Ucrânia, a Bielorrússia,
a Rússia e sobre parte da Europa e da Escandinávia. Nos anos seguintes, 4 mil
pessoas desenvolvem câncer de tireoide, inclusive a engenheira Natalia
Manzurova, que se viu obrigada a trabalhar na descontaminação da área (leia a
entrevista). Reportagem de Rodrigo Craveiro, no Correio Braziliense.
Acidente na usina nuclear de Fukushima permenece rodeado de
mistério
Fukushima, Japão, 11 de março de 2011, 14h46. Um terremoto
de magnitude 9 na escala Richter provoca um tsunami devastador, que mata 27 mil
pessoas e danifica quatro dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima
Daiichi. Três explosões nos prédios da central atômica levam ao vazamento de
radioatividade na atmosfera. Especialistas temem que o combustível do núcleo do
reator 2 tenha sofrido derretimento completo. Altos níveis de césio-137,
iodo-131 e plutônio são detectados na água. Ainda se desconhece o impacto do
acidente sobre a saúde humana. No entanto, a população num raio de 20km foi
removida às pressas. Quem vive entre 20km e 30km de distância da usina recebeu
o conselho de deixar a região e se afastar ainda mais.
Enquanto Chernobyl ocupa o nível 7 — o máximo na Escala
Internacional de Evento Nuclear (Ines, pela sigla em inglês) —, Fukushima
recebeu a classificação de nível 6. Iouli Andreev também atuou na tentativa de
descontaminar Chernobyl e, após o acidente, foi diretor científico do serviço
de emergência nuclear russa Spetsatom. Em entrevista ao Correio, ele explica
que o fato de a informação sobre Fukushima ser vaga e fragmentada torna quase
impossível comparar os dois desastres. “Toda a radiação de Chernobyl foi
liberada durante as duas primeiras semanas após a explosão. Em Fukushima, a
radioatividade ainda é expelida e se desconhece a quantidade final”, comenta.
Segundo Iouli, o padrão comum de ambos os acidentes é a tentativa de esconder a
situação real do público e dos especialistas estrangeiros.
Na semana passada, o governo japonês divulgou que a
quantidade de iodo radioativo na água em torno da usina de Fukushima superava
em 5 milhões o limite legal. Iouli considera a medida “uma complicada tentativa
de mascarar números reais”. “Até agora, a Companhia de Energia Elétrica de
Tóquio (Tepco) não forneceu dados sobre a distribuição de estrôncio, plutônio e
outros radionucleídeos na área contaminada. Ninguém vai beber a água do mar. Os
limites legais devem ser aplicados ao ar, à água encanada, aos alimentos e à
radiação ambiental”, conclui o especialista.
Pior
Nos últimos dias, Natalia Mironova causou polêmica ao
garantir que o incidente em Fukushima é muito pior do que o de Chernobyl. “Iodo
radioativo, estrôncio, plutônio e trítio têm sido descarregados na atmosfera,
por meio da evaporação da água do mar usada para cobrir os reatores e os
depósitos de combustível nuclear gasto”, explica a presidente do Movimento para
Segurança Nuclear da Rússia. Mironova lembra que em Fukushima houve vazamento
de água radioativa para o oceano. “Ao cobrir a terra, a vegetação e os
mananciais, a radiação foi incluída imediatamente na cadeia alimentar. O ar, a
água potável, os vegetais e os frutos do mar estão contaminados”, alerta.
Mironova admite que cada acidente é único, dependente da
combinação de fatores e da paisagem natural ao redor. De acordo com a
engenheira termodinâmica e ativista antinuclear, o Japão precisa lidar com
quatro reatores fora de controle, enquanto o problema em Chernobyl se
restringia a apenas um. “Os reatores de Fukushima continuam expelindo fumaça. O
processo em Chernobyl durou duas semanas”, compara. A especialista aconselha que
toda a contaminação na província japonesa seja mapeada, e não apenas modelada
por computador, a fim de se conhecer os danos reais. Ela reconhece a
insuficiência de informações sobre o que ocorreu em Fukushima. “Em Chernobyl,
década após década, as estimativas sobre os danos causados pelo desastre
multiplicaram de 10 para 100 vezes”, sustenta. A russa defende uma análise
criteriosa sobre o impacto na economia japonesa e na esfera dos suprimentos —
finanças, alimentos, transporte, água potável, medicina e gasolina. E adverte:
“As ambições nucleares destruíram a União Soviética enquanto Estado. Veremos o
que ocorrerá ao Japão”.
Em Chernobyl, Iouli jamais pôde concluir as tarefas
iniciadas 25 anos atrás. “Era parte de meu trabalho desenvolver os métodos de
descontaminação do solo, dos reservatórios de água, dos prédios e das
florestas”, relata. Até hoje, porém, a chamada Zona Chernobyl permanece
contaminada.
“Era apenas mais um trabalho”
Natalia Manzurova chegou a Prypiat (atual Ucrânia) em abril
de 1986. Então com 35 anos, a engenheira especialista em ecologia e radiação
cumpria ordens de Moscou. Nos quatro anos e meio seguintes, atuaria como um dos
800 mil liquidadores — termo usado para se referir ao profissional responsável
pela limpeza da usina nuclear de Chernobyl e pela construção do sarcófago do
reator 4. Em entrevista exclusiva ao Correio, por telefone, ela contou que não
imaginava o risco que correria durante o trabalho. A radioatividade deixou-lhe
várias sequelas e transformou-a em uma ativista contrária à energia atômica. A
sobrevivente do pior acidente nuclear da história alerta que o desastre na
usina de Fukushima já se compara ao de Chernobyl.
Como a senhora enfrentou o medo da radiação, enquanto
trabalhava na limpeza da área de Chernobyl?
Quando fui convocada a fazer esse trabalho, era apenas mais
um trabalho. Eu fui até lá como se fosse um médico se preparando para uma
intervenção cirúrgica. Não conhecíamos a proporção do acidente. A situação não
estava clara quando cheguei a Chernobyl. No início, não sabíamos que havia
vazamento de radiação.
Que sequelas a senhora sofreu ante a exposição excessiva à
radioatividade?
Eu sofri uma deficiência no sistema imunológico, que não
está funcionando bem. Também desenvolvi uma aberração cromossômica. Por causa
do excesso de radiação, o DNA e os cromossomos sofreram muitos danos. Quando eu
tinha 40 anos, descobri um tumor e precisei extrair a tireoide. Eu não conheço
nenhum outro liquidador que tenha sobrevivido ao acidente nuclear sem
apresentar todos os tipos de danos causados pela radiação. Quando olho para os
jovens liquidadores de Fukushima, eu me identifico com eles.
Na sua opinião, existe o risco de Fukushima se tornar pior
que Chernobyl?
Nós já temos um acidente que repete Chernobyl. Quando vejo
os liquidadores de Fukushima, vejo jovens, assim como na Ucrânia. Também temos
populações removidas, que sofrem profundamente com as circunstâncias do evento.
São pessoas que não sabem como agir e não sabem se houve o impacto sobre o meio
ambiente ou sobre elas mesmas. Os radionucleídeos descarregados de Fukushima
atingiram a água e o meio ambiente, enquanto em Chernobyl eles se concentraram
mais no solo. Em Fukushima, a radioatividade atinge cada vez mais fundo o
oceano e o solo. A burocracia nuclear, a indústria nuclear, era muito bem
organizada em Chernobyl.
De que modo o mundo deve lidar com a energia nuclear? Qual é
a receita para reduzir riscos?
Não existe uma solução para garantir a segurança da energia
nuclear. O que se pode fazer é aplicar dinheiro em pesquisas com energias
alternativas. (RC)
EcoDebate, 12/04/2011
Local virou atração turística
Em meio a lagos, terra arenosa e florestas nas estepes ao
norte de Kiev, fica Chernobyl, que adquiriu notoriedade internacional quando,
no dia 26 de abril de 1986, técnicos fizeram uma experiência com um dos quatro
reatores de energia nuclear ali instalados. Ele sofreu uma catastrófica
explosão de vapor que resultou em incêndio, uma série de explosões adicionais,
e um derretimento nuclear. Sem um recipiente de contenção, o conteúdo
radioativo foi carregado pelo ar sobre grandes porções da Europa, causando um
pânico internacional. Hoje, há uma área de exclusão de 30 km em torno de Chernobyl,
o que não impede a visita contante de turistas – numa modalidade algo mórbida
de passeio.
No período mediamente após a explosão, foram mortos 31
trabalhadores da usina, e milhares de outras pessoas que viviam na região que
hoje faz parte da Ucrânia e da Bielorrússia receberam doses que radiação que
encurtaram suas vidas. Cientistas divergem sobre o número de mortos. A
Organização Mundial de saúde afirma que foram 4 mil. Os números do Greenpeace,
que parecem notavelmente exagerados, falam em 200 mil.
Níveis significativos de césio 137, estrôncio 90 e isótopos
de plutônio ainda poluem o solo local. Em uma zona conhecida como Floresta
Vermelha, chegou a um nível 20 vezes mais alto que o da contaminação de
Hiroshima e Nagasaki, o que ainda é muito perigoso.
A explosão de Chernobyl foi o pior acidente nuclear do
mundo, e é o único classificado no nível sete da Escala Internacional de
Eventos Nucleares. Os 25 anos do acidente, no mês que vem, certamente ganharão
uma ressonância dramática, depois dos incêndios nos reatores de Fukushima, que
ressuscitaram temores de que o pânico nuclear tome o planeta mais uma vez- embora o evento no Japão tenha sido
classificado no nível cinco da escala.
sábado, 11 de junho de 2016
Escala Internacional de Acidentes Nucleares
Conforme o link abaixo veja a Classificação de Acidentes Nucleares
Escala Internacional de Acidentes Nucleares
Entenda melhor através deste Link os tipos de acidentes e como foram classificados
click aqui
Todos esses acidentes também podem ser vistos conforme a copia desta matéria original.
Top 10: Piores Acidentes Nucleares da Historia
também complementando esta matéria , sobre acidentes nucleares veja o link, este artigo é um dos melhores .
As consequências não precisam mais claras o homem esta destruindo o planeta é somente pensa no lucro.
Imagens de Chernobyl
Imagens de Fukushima
sábado, 28 de maio de 2016
Chernobyl: Consequências da Catástrofe para as Pessoas e o Meio Ambiente
Chernobyl: Consequências da Catástrofe para as Pessoas e o Meio Ambiente
Chernobyl: Consequências da Catástrofe para as Pessoas e o Meio Ambiente
Artigo científico mostrando como o acidente da Usina Nuclear de Chernobyl pode ter ceifado a vida de quase 1 milhão de pessoas durante os primeiros 23 anos após a tragédia.
Traduzi a última parte porque são as conclusões dos autores, ou seja, o que ocorreu com as pessoas e o meio ambiente devido à radiação. Tradução da parte 15 (pág. 318 a 327) do artigo “Chernobyl - Consequences of the Catastrophe for People and the Environment” por Alexey V. YABLOKOV, Vassily B. NESTERENKO e Alexey V. NESTERENKO publicado pela Academia de Ciências de Nova York no “Annals of the New York Academy of Sciences”, Volume 1181 em 2009.
*Se alguém identificar erros na tradução insiste que deixe um comentário uma vez que existem muitos termos técnicos da área médica e nuclear.
Chernobyl: Consequências da Catástrofe para as Pessoas e o Meio Ambiente 15. Consequências da Catástrofe de Chernobyl para Saúde Pública e o Meio Ambiente 23 Anos Depois
Por Alexey V. Yablokov, Vassily B. Nesterenko, e Alexey V. Nesterenko Mais de 50% dos radionuclídeos de Chernobyl foram dispersos fora da Bielorrússia, Ucrânia e da Rússia europeia e provocou precipitações tão distantes como na América do Norte.
Em 1986 quase 400 milhões de pessoas viviam em áreas contaminadas radioativamente com um nível superior a 4 kBq/m2e cerca de 5 milhões de pessoas ainda estão sendo expostas a níveis perigosos de contaminação. O aumento da morbidade, envelhecimento precoce, e mutações foi observado em todos os territórios contaminados que foram estudados.
O aumento nas taxas de mortalidade total para os primeiros 17 anos na Rússia europeia foi de até 3,75% e na Ucrânia, foi de até 4,0%. Os níveis de radiação interna estão aumentando devido às plantas que absorvem e reciclam Cs-137, Sr-90, Pu e Am. Nos últimos anos os níveis internos de Cs-137 ultrapassaram 1 mSv/ano, que é o considerado "seguro", esses devem ser reduzidos para 50 Bq/kg em crianças e 75 Bq/kg em adultos. Práticas úteis para fazer isso incluem a aplicação de fertilizantes minerais em terras agrícolas, lignina organossolúvel e K em florestas e consumo individual regular de solventes parentéricos de pectina natural.
Ajuda internacional em larga escala é necessária para fornecer proteção contra radiação para as crianças, especialmente na Bielorrússia, onde ao longo dos próximos 25 a 30 anos radionuclídeos continuarão a contaminar plantas através das camadas das raízes no solo. Populações irradiadas de plantas e animais exibem uma variedade de deformidades morfológicas e têm níveis significativamente mais elevados de mutações que eram raras antes de 1986. A zona de Chernobyl é um "buraco negro": algumas espécies persistem apenas através da migração de áreas não contaminadas. A explosão do quarto bloco da central nuclear de Chernobyl na Ucrânia em 26 de abril de 1986 foi o pior acidente tecnogênico da história. A informação apresentada nas primeiras 14 partes deste volume foi abstraída a partir dos milhares de artigos científicos e outros materiais citados.
O que se segue aqui é um resumo dos principais resultados desta meta-análise das consequências da catástrofe de Chernobyl. A principal abordagem metodológica desta meta-análise é revelar as consequências de Chernobyl, comparando as diferenças entre populações, incluindo territórios ou subgrupos que tiveram e têm diferentes níveis de contaminação, mas são comparáveis entre si em suas características étnicas, biológicas, sociais e econômicas. Esta abordagem é claramente mais válida do que tentar encontrar correlações "estatisticamente significativas" entre as diversas doses recebidas pelas populações que são impossíveis de quantificar após o fato e os resultados na saúde que são definidos precisamente por dados de morbidade e mortalidade.
15.1. A Escala Global da Catástrofe 1. Como resultado da catástrofe, 40% da Europa foi contaminada com radioatividade perigosa. A Ásia e América do Norte também foram expostas a quantidades significativas de precipitação radioativa. Países contaminados incluem a Áustria, Finlândia, Suécia, Noruega, Suíça, Romênia, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França, Grécia, Islândia e Eslovênia, bem como amplos territórios na Ásia, incluindo a Turquia, Geórgia, Arménia, os Emirados, China, e norte da África. Cerca de 400 milhões de pessoas estavam em áreas onde a radioatividade excedeu o nível de 4 kBq/m2 (≥ 0,1 Ci/km2) durante o período de abril a julho de 1986. 2. A Bielorrússia em especial foi fortemente contaminada. Vinte e três anos depois da catástrofe cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo cerca de 1 milhão de crianças, vivem em vastas áreas da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia, onde níveis perigosos de contaminação radioativa persistem (ver Capítulo 1). 3. A reivindicação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica (UNSCEAR), e vários outros grupos que a precipitação radioativa de Chernobyl acrescentou "apenas" 2% a radiação de fundo natural ignora vários fatos: • Primeiro, muitos territórios continuam a ter níveis perigosamente elevados de radiação. • Segundo, altos níveis de radiação foram espalhados por toda parte nas primeiras semanas depois da catástrofe. • Terceiro, haverá décadas de contaminação crônica de baixo nível, após a catástrofe (Fig. 15.1). • Quarto, cada aumento de radiação nuclear tem um efeito sobre as células somáticas e reprodutivas de todos os seres vivos. 4. Não há justificativa científica para o fato de que especialistas da AIEA e da Organização Mundial da Saúde (OMS) (Chernobyl Forum, 2005) terem negligenciado completamente os extensos dados sobre as consequências negativas da contaminação radioativa em outras áreas além da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia, onde cerca de 57% dos radionuclídeos de Chernobyl foram depositados.
15.2. Obstáculos para a Análise das Consequências de Chernobyl 1. Entre as razões que complicam uma estimativa em escala global do impacto da catástrofe de Chernobyl na saúde estão as seguintes: • Política oficial de segredo e falsificação irreparável das estatísticas médicas na União Soviética nos primeiros 3,5 anos depois da catástrofe. • Falta de estatísticas médicas confiáveis e detalhadas na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia. • Dificuldade em estimar as reais doses radioativas individuais, em vista de: (a) reconstrução das doses nos primeiros dias, semanas e meses após a catástrofe, (b) incerteza quanto à influência de “partículas quentes “individuais; (c) problemas quanto à contaminação desigual e irregular, e (d) a incapacidade para determinar a influência de cada um dos muitos radionuclídeos, isoladamente e combinados. • Inadequação do conhecimento moderno, quanto a: (a) o efeito específico de cada um dos muitos radionuclídeos;(b) sinergia das interações de radionuclídeos entre si e com outros fatores ambientais, (c) diferenças da radio sensibilidade da população e individual; (d) impacto das taxas e doses ultrabaixas e (e) o impacto da radiação absorvida internamente em vários órgãos e sistemas biológicos. 2. A demanda dos especialistas da AIEA e OMS que exigiram uma "correlação significativa" entre os níveis imprecisamente calculados de radiação individual (e, portanto, grupos de indivíduos) e as doenças diagnosticadas com precisão como a única prova concreta associando doenças com a radiação de Chernobyl não é, em nosso ponto de vista, cientificamente válido. 3. Acreditamos que é cientificamente incorreto rejeitar dados gerados por muitos milhares de cientistas, médicos e outros especialistas que observaram diretamente o sofrimento de milhões de pessoas afetadas pela precipitação radioativa na Bielorrússia, Ucrânia e Rússia como "incompatíveis com protocolos científicos." É cientificamente válido encontrar maneiras de extrair informações válidas a partir desses dados. 4. A informação objetiva sobre o impacto da catástrofe de Chernobyl sobre a saúde pode ser obtida de várias maneiras: • Comparar a morbidade e a mortalidade de territórios com idênticos aspectos fisiográficos, sociais e econômicos e que diferem apenas nos níveis e espectro da contaminação radioativa a que foram e estão sendo expostos. • Comparar a saúde do mesmo grupo de indivíduos durante períodos específicos após a catástrofe. • Comparar a saúde do mesmo indivíduo em relação a desordens ligadas à radiação e que não são função da idade ou sexo (e.g., aberrações cromossómicas estáveis). • Comparar a saúde dos indivíduos que vivem em territórios contaminados medindo o nível de Cs-137, Sr-90, Pu e Am incorporado. Este método é especialmente eficaz na avaliação de crianças que nasceram depois da catástrofe. • Correlacionar alterações patológicas em órgãos específicos, medindo os níveis de radionuclídeos incorporados. A documentação objetiva das consequências da catástrofe requer a análise do estado de saúde de cerca de 800,000liquidadores (as pessoas responsáveis pela limpeza de Chernobyl), centenas de milhares de desabrigados, e aqueles que voluntariamente deixaram os territórios contaminados da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia (e seus filhos), questão vivendo agora fora destes territórios, até mesmo em outros países. 5. É necessário determinar territórios na Ásia (incluindo o Transcáucaso, Irã, China, Turquia, Emirados), norte da África e América do Norte que foram expostos à precipitação de Chernobyl de abril a julho de 1986 e analisar as estatísticas médicas detalhadas destes territórios e seus arredores.
15.3. Consequências para a Saúde devido à Chernobyl 1. Um aumento significativo da morbidade geral é aparente em todos os territórios estudados contaminados por Chernobyl. 2. Dentre específicos transtornos de saúde associados à radiação de Chernobyl, houve um aumento da morbidade e prevalência dos seguintes grupos de doenças: • Sistema circulatório (devido principalmente à destruição radioativa do endotélio, o revestimento interno dos vasos sanguíneos). • Sistema Endócrino (especialmente patologias de tireoide não-maligna). • Sistema Imunológico ("AIDS de Chernobyl," aumento da incidência e da gravidade de todas as doenças). • Sistema respiratório. • Trato urogenital e distúrbios reprodutivos. • Sistema esquelético-muscular (incluindo alterações patológicas na estrutura e composição dos ossos: osteopeniae osteoporose). • O sistema nervoso central (alterações nos lobos frontal, temporal e ocipitoparietal do cérebro, acarretando inteligência diminuída e distúrbios mentais e comportamentais). • Olhos (catarata, destruição vítrea, anomalias de refração e desordens conjuntivas). • Aparelho digestivo. • Malformações congênitas e anomalias (incluindo, anteriormente, raros defeitos múltiplos dos membros e cabeça). • Câncer de tireoide (Todas as previsões relativas a este câncer foram errôneas; cânceres de tireoide relacionados com Chernobyl se instalam rapidamente e tem desenvolvimento agressivo, atingindo tanto crianças como adultos. Após a cirurgia, as pessoas se tornam dependentes de medicamentos para reposição hormonal por toda a vida). • Leucemia (câncer no sangue), não apenas em crianças e liquidadores, mas na população adulta em geral dos territórios contaminados. • Outras neoplasias malignas. 3. Outras consequências para a saúde da catástrofe: • Alterações no equilíbrio biológico do organismo, levando ao aumento do número de doenças graves devido à toxicoses intestinais, infecções bacterianas e sepse. • Intensificação das doenças infecciosas e parasitárias (por exemplo, hepatites virais e viroses respiratórias). • Maior incidência de problemas de saúde em crianças nascidas de pais irradiados (tanto de liquidadores quanto indivíduos que deixaram os territórios contaminados), especialmente aqueles irradiados no útero. Estes distúrbios envolvem praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo, também incluem mudanças genéticas. • Estado catastrófico da saúde dos liquidadores (especialmente aqueles que trabalharam em 1986-1987). • Envelhecimento prematuro tanto de adultos quanto crianças. • Maior incidência de mutações múltiplas genéticas e somáticas. 4. Doenças crônicas associadas à contaminação radioativa estão disseminadas em liquidadores e na população vivendo em territórios contaminados. Entre esses indivíduos polimorbidade é comum, ou seja, as pessoas são muitas vezes afetadas por múltiplas doenças ao mesmo tempo. 5. Chernobyl “enriqueceu” a medicina no mundo com termos como "rejuvenescimento do câncer", bem como três novas síndromes: • "Distonia vegetovascular" – regulação disfuncional do sistema nervoso envolvendo órgãos cardiovasculares e outros(também chamado de disfunção do sistema nervoso autônomo), com sinais clínicos que se apresentam em um contexto de estresse. • "Radionuclídeos de longa-vida incorporados" – distúrbios funcionais e estruturais dos sistemas cardiovascular, nervoso, endócrino, reprodutivo entre outros devido aos radionuclídeos absorvidos. • "Lesões agudas de inalação no sistema respiratório superior" – uma combinação de rinite, irritação na garganta, tosse seca, dificuldade para respirar e falta de ar devido ao efeito da inalação de radionuclídeos, incluindo "partículas quentes". 6. Várias novas síndromes, refletindo o aumento da incidência de algumas doenças, apareceram depois de Chernobyl. Entre elas: • "Síndrome da fadiga crônica" – fadiga excessiva e sem alívio, fadiga sem causa aparente, depressão periódica, perda de memória, dores articulares e musculares difusas, calafrios e febre, alterações frequentes de humor, sensibilidade linfonodal cervical, perda de peso, e também é frequentemente associada com disfunção do sistema imunológico e doenças do sistema nervoso central. • "Síndrome da doença de irradiação prolongada" – uma combinação de fadiga excessiva, tontura, tremores, e dor nas costas. • "Síndrome do envelhecimento precoce" – uma divergência entre a idade física e cronológica com doenças características de idosos ocorrendo em jovens. 7. Síndromes específicas de Chernobyl como "irradiação no útero", "AIDS de Chernobyl", "coração de Chernobyl", "membros de Chernobyl", e outras aguardam descrições médicas mais detalhadas e definitivas. 8. O quadro completo de deterioração da saúde nos territórios contaminados ainda está longe de completa, apesar de uma grande quantidade de dados. A pesquisa médica, biológica e radiológica precisa aumentar e ser apoiada para fornecer o quadro completo das consequências de Chernobyl. Em vez disso, essa pesquisa tem sido suprimida na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. 9. Deterioração da saúde pública (especialmente das crianças) nos territórios contaminados por Chernobyl 23 anos depois da catástrofe não é devido ao estresse psicológico ou radiofobia, ou reassentamento, mas é sobretudo e principalmente devido à radiação de Chernobyl. Sobreposto ao primeiro forte choque em 1986 está a contínua exposição crônica de radionuclídeos de pequenas doses com baixas taxas. 10. Fatores psicológicos ("fobia de radiação") simplesmente não podem ser a razão definitiva porque a morbidade continuou a aumentar durante alguns anos após a catástrofe, enquanto as preocupações quanto a radiação diminuíram. E qual é o nível de fobia de radiação entre ratazanas, andorinhas, rãs e pinheiros que demonstram semelhantes problemas de saúde, incluindo taxas de mutação aumentadas? Não há dúvida que fatores sociais e econômicos são terríveis para os doentes devido à radiação. Crianças doentes, deformadas e deficientes, morte de familiares e amigos, perda de emprego e deslocamento são sérios fatores de estresse financeiro e mental.
15.4. Número Total de Vítimas 1. As primeiras estimativas oficiais da AIEA e OMS previram poucos casos adicionais de câncer. Em 2005, o Chernobyl Forum declarou que o número total de mortos por causa da catástrofe seria de cerca de 9.000 e o número de doentes cerca de 200.000. Estes números não conseguem distinguir doenças e mortes relacionadas à radiação de mortalidade e morbidade natural de uma grande base populacional. 2. Logo após a catástrofe a expectativa média de vida diminuiu visivelmente enquanto morbidade e mortalidade aumentaram em crianças e idosos na União Soviética. 3. Comparações estatísticas detalhadas de territórios altamente contaminados com os territórios pouco contaminados mostraram um aumento na taxa de mortalidade na parte contaminada da Rússia europeia e Ucrânia de 3,75% e 4,0%, respectivamente, entre os primeiros 15 a 17 anos após a catástrofe. 4. De acordo com avaliações baseadas em análises detalhadas de estatísticas demográficas oficiais nos territórios contaminados da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia, o número de mortes adicionais por causa de Chernobyl para os primeiros 15 anos após a catástrofe chega a cerca de 237.000 pessoas. É seguro assumir que o total de mortes devido a Chernobyl do período de 1987 a 2004, atingiu cerca de 417.000 em outras partes da Europa, Ásia e África, e quase 170.000 na América do Norte, resultando em quase 824.000 mortes no mundo. 5. Os números de vítimas de Chernobyl continuarão a aumentar por várias gerações.
15.5. Liberações de Chernobyl e as Consequências Ambientais 1. O transporte de radionuclídeos de Chernobyl de meia-vida longa pela água, ventos e animais migratórios causa (e continuará a causar) contaminação radioativa secundária a centenas e milhares de quilômetros de distância da central nuclear ucraniana Chernobyl. 2. Todas as previsões iniciais de remoção rápida ou decaimento dos radionuclídeos de Chernobyl do ecossistema estavam erradas: está levando muito mais tempo do que previsto porque eles recircular. O estado geral de contaminação na água, ar e solo parece flutuar muito e a dinâmica da contaminação de Sr-90, Cs-137, Pu e Am ainda apresentam surpresas. 3. Como resultado da acumulação de Cs-137, Sr-90, Pu e Am na camada das raízes do solo, radionuclídeos continuaram a acumular nas plantas nos últimos anos. Movimentando-se com a água para as partes superiores das plantas, os radionuclídeos (que anteriormente tinham desaparecido da superfície) concentram-se nos componentes comestíveis, resultando em altas doses e níveis de radiação interna nas pessoas, apesar da decrescente quantidade total de radionuclídeos devido à desintegração natural ao longo do tempo. 4. Como resultado da bioacumulação de radionuclídeos, a quantidade nas plantas, fungos e animais pode aumentar1.000 vezes em comparação com concentrações no solo e na água. Os fatores de acumulação e de transição variam consideravelmente em cada estação, mesmo para a mesma espécie, tornando difícil discernir níveis perigosos de radionuclídeos em plantas e animais que parecem ser seguros para comer. Apenas um monitoramento direto pode determinar os níveis reais. 5. Em 1986, os níveis de radiação em plantas e animais na Europa ocidental, América do Norte, Ártico, e Ásia oriental eram, por vezes, centenas e até milhares de vezes acima dos padrões aceitáveis. O pulso inicial de alto nível de radiação seguido pela exposição crônica a baixos níveis de radionuclídeos resultou em distúrbios morfológicos, fisiológicos e genéticos em todos os organismos vivos nas áreas contaminadas que foram estudados –plantas, mamíferos, aves, anfíbios, peixes, invertebrados, bactérias e vírus. 6. Vinte anos depois da catástrofe todos os animais de caça nas áreas contaminadas da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia têm altos níveis de radionuclídeos de Chernobyl. Ainda é possível encontrar alces, javalis e corças que foram perigosamente contaminados na Áustria, Suécia, Finlândia, Alemanha, Suíça, Noruega e vários outros países. 7. Todas as populações afetadas de plantas e animais que foram objetos de estudos detalhados mostram uma grande variedade de deformidades morfológicas que eram raras ou desconhecidas antes da catástrofe. 8. A estabilidade do desenvolvimento individual (determinado pelo nível de simetria flutuante – um método específico para a detecção do nível de instabilidade do desenvolvimento individual) reduziu em todas as plantas, peixes, anfíbios, pássaros e mamíferos que foram estudados nos territórios contaminados. 9. O número dos grãos de pólen geneticamente anômalos e subdesenvolvidos e esporos no solo contaminado radioativamente por Chernobyl indica uma perturbação geobotânica. 10. Todas as plantas, animais e micro-organismos que foram estudados nos territórios contaminados por Chernobyl têm níveis significativamente mais elevados de mutações do que aqueles em áreas menos contaminadas. A exposição crônica à baixa dose nos territórios de Chernobyl resulta em uma acumulação transgeracional de instabilidade genômica, que se manifesta com efeitos celulares e sistêmicos. As taxas de mutação em alguns organismos aumentaram durante as últimas décadas, apesar da diminuição no nível local de contaminação radioativa. 11. A vida selvagem na zona altamente contaminada de Chernobyl, por vezes, parece florescer, mas a aparência é enganadora. De acordo com testes morfogenéticos, citogenéticos e imunológicos, todas as populações de plantas, peixes, anfíbios e mamíferos que foram estudados estão em condições precárias. Esta zona é análoga a um "buraco negro" – algumas espécies só perseveram ali através de migração de áreas não contaminadas. A zona de Chernobyl a "caldeira" micro evolutiva onde os genes dos seres vivos estão se transformando, com consequências imprevisíveis. 12. O que aconteceu com ratazanas e sapos na zona de Chernobyl evidencia o que pode acontecer aos seres humanos em gerações futuras: aumento das taxas de mutação, aumento da morbidade e mortalidade, expectativa de vida reduzida, diminuição da intensidade de reprodução e mudanças na proporção entre os sexos masculino/feminino. 13. Para uma melhor compreensão dos processos de transformação da vida selvagem nas áreas contaminadas por Chernobyl, estudos científicos radiobiológicos e outros não devem ser interrompidos, como aconteceu em todos os lugares da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia, mas devem ser ampliados e intensificados para melhor compreender e ajudar a mitigar as consequências esperadas e inesperadas.
15.6. Esforços Sociais e Ambientais para Minimizar as Consequências da Catástrofe 1. Para centenas de milhares de indivíduos (em primeiro lugar, na Bielorrússia, mas também em vastos territórios da Ucrânia, Rússia, e em algumas áreas de outros países) a radiação adicional de Chernobyl ainda excede o nível considerado "seguro" de 1 mSv/ano. 2. Atualmente para as pessoas que vivem nas regiões contaminadas da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia, 90% dados e de radiação nelas é devido ao consumo de alimentos locais contaminados, por isso medidas devem ser disponibilizadas para livrar seus corpos dos radionuclídeos incorporados (ver Capítulo IV. 12-14). 3. Várias medidas foram tomadas para produzir alimentos limpos e reabilitar o povo da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia. Estas incluem a aplicação de quantidades adicionais de fertilizantes selecionados, programas especiais para reduzir os níveis de radionuclídeos em produtos agrícolas e carne, organizar alimentos livre de radionuclídeos para escolas e creches e programas especiais para reabilitar crianças periodicamente realocando-as para locais não contaminados. Infelizmente essas medidas não são suficientes para aqueles que dependem de alimentos de suas hortas individuais, ou das florestas locais e cursos d’água. 4. É extremamente importante desenvolver medidas para diminuir o acúmulo de Cs-137 dos habitantes das áreas contaminadas. Estes níveis, que são baseadas em dados disponíveis sobre o efeito de radionuclídeos incorporados na saúde, são de 30 a 50 Bq/kg para crianças e de 70 a 75 Bq/kg para adultos. Em algumas aldeias da Bielorrússia, em 2006, algumas crianças tinham níveis de até 2.500 Bq/kg! 5. A experiência do Instituto BELRAD na Bielorrússia demonstrou que medidas de desincorporação devem ser introduzidas quando os níveis de Cs-137 se tornarem maiores que 25 a 28 Bq/kg. Isto corresponde a 0,1 mSv/ano, o mesmo nível que de acordo com a UNSCEAR uma pessoa inevitavelmente recebe de radiação externa vivendo nos territórios contaminados. 6. Devido ao consumo individual e familiar de alimentos e a variável disponibilidade local de alimentos, monitoramento permanente de radiação em produtos alimentares locais é necessário em conjunto com medições de níveis de radionuclídeos individuais, especialmente em crianças. Deve haver um enrijecimento generalizado nos níveis admissíveis de radionuclídeos em alimentos locais. 7. A fim de diminuir a radiação a um nível considerado seguro (1 mSv/ano) para aqueles em áreas contaminadas da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia é considerado boa prática: • Aplicar fertilizantes minerais pelo menos três vezes por ano em todas as terras agrícolas, incluindo hortas, pastos e campos de feno. • Adicionar lignina solúvel e K em ecossistemas florestais dentro de um raio de até 10 km de assentamentos para a redução efetiva de Cs-137 em cogumelos, nozes e frutas silvestres que são importantes alimentos locais. • Fornecer consumo individual regular de solventes parentéricos de pectina natural (derivado de maçãs, groselhas, etc) durante 1 mês, pelo menos quatro vezes por ano e incluir sucos com pectina diariamente para crianças em creches e escolas para promover a excreção de radionuclídeos. • Adotar medidas preventivas em leite, carne, peixe, vegetais e outros produtos alimentares locais para reduzir os níveis de radionuclídeos. • Usar solventes parentéricos (ferrocianetos, etc) quando animais de corte estiverem na engorda. 8. Para diminuir os níveis de doenças e promover a reabilitação é uma boa prática nas áreas contaminadas fornecer: • Avaliação individual anual de níveis reais de radionuclídeos incorporados usando um contador de radiação de corpo inteiro (para crianças, isto deve ser feito trimestralmente). • Reconstrução de todos os níveis individuais de radiação externa do período inicial após a catástrofe usando dosimetria EPR e medição de aberrações cromossômicas, etc. Isto deve incluir todas as vítimas, incluindo aqueles que saíram das áreas contaminadas – liquidadores, evacuados e migrantes voluntários e seus filhos. • Consultas genéticas obrigatórias nos territórios contaminados (e voluntária para todos os cidadãos em idade fértil) devido aos graves riscos de malformações congênitas nos descendentes. Usando as características e o espectro de mutações no sangue ou na medula óssea de futuros pais, é possível definir o risco de dar à luz a uma criança com graves malformações genéticas e assim evitar tragédias familiares. • Diagnóstico pré-natal de graves malformações congênitas e apoio a programas de aborto para as famílias que vivem nos territórios contaminados da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia. • Triagem oncológica regular e práticas médicas preventivas e antecipatórias para a população dos territórios contaminados. 9. A catástrofe de Chernobyl mostrou claramente que é impossível fornecer proteção contra a contaminação radioativa usando apenas recursos nacionais. Nos primeiros 20 anos, o dano econômico direto à Bielorrússia, Ucrânia e Rússia ultrapassou 500 bilhões de dólares. Para mitigar algumas das consequências, a Bielorrússia gasta cerca de 20% do seu orçamento anual nacional, a Ucrânia até 6% e a Rússia até 1%. Ajuda internacional em larga escala será necessária para proteger as crianças por pelo menos nos próximos 25 a 30 anos, especialmente aquelas na Bielorrússia porque os radionuclídeos permanecem nas camadas de raízes mais profundas do solo. 10. O não fornecimento de iodo estável em abril de 1986 para aqueles nos territórios contaminados levou a um aumento substancial no número de vítimas. Doenças de tireoide são uma das primeiras consequências quando uma usina nuclear falha, portanto um sistema confiável é necessário para levar esta substância química simples para todos aqueles no caminho da contaminação nuclear. Está claro que os países com usinas nucleares devem ajudar a todos os países estocar iodeto de potássio em caso de outra catástrofe da uma usina nuclear. 11. A tragédia de Chernobyl mostrou que sociedades em qualquer lugar (e especialmente no Japão, França, Índia, China, Estados Unidos e Alemanha) devem considerar a importância da monitorização independente de radiação de alimentos e níveis individuais de radiação com o objetivo de amenizar o perigo e prevenir danos adicionais. 12. O monitoramento de radionuclídeos incorporados, especialmente em crianças, é necessário em torno de todas as usinas nucleares. Esta monitorização deve ser independente da indústria nuclear e os resultados devem ser disponibilizados para o público.
15.7. Organizações Associadas com a Indústria Nuclear Protegem a Indústria Primeiro – Não o Público 1. Uma lição importante da experiência de Chernobyl é que especialistas e organizações ligadas à indústria nuclear têm rejeitado e ignorado as consequências da catástrofe. 2. Em apenas 8 ou 9 anos após a catástrofe um aumento generalizado de catarata foi admitido por autoridades médicas. O mesmo ocorreu com câncer de tireoide, leucemia e distúrbios do sistema nervoso central. Lentidão no reconhecimento de problemas óbvios e os atrasos resultantes na prevenção da exposição e mitigação dos efeitos jazem na porta de defensores da indústria nucleares mais interessados em preservar o status quo do que ajudar milhões de pessoas inocentes que estão sofrendo sem terem culpa. É preciso mudar o acordo oficial entre a OMS e a AIEA (WHO, 1959) que fornece maneiras de ocultar do público qualquer informação que pode ser indesejada pela indústria nuclear.
15.8. É Possível Esquecer Chernobyl 1. Os dados crescentes sobre os efeitos negativos da catástrofe de Chernobyl para a saúde pública e a natureza não é uma boa sinalização para otimismo. Sem programas especiais nacionais e internacionais de larga escala, a morbidade e mortalidade nos territórios contaminados aumentarão. Moralmente é inexplicável o que os especialistas associados com a indústria nuclear dizem: "É hora de esquecer Chernobyl". 2. Políticas sólidas e eficazes, nacionais e internacionais, para mitigar e minimizar as consequências de Chernobyl devem ser baseadas no princípio: "É necessário aprender e minimizar as consequências desta terrível catástrofe".
15.9. Conclusão O presidente dos EUA, John F. Kennedy falando sobre a necessidade de parar os testes nucleares na atmosfera, disse em junho de 1963: . . . O número de crianças com câncer em seus ossos, com leucemia no sangue, ou com veneno em seus pulmões pode parecer estatisticamente pequeno para alguns, em comparação com os perigos naturais à saúde, mas este não é um perigo natural para a saúde – e não é uma questão estatística. A perda de até mesmo uma vida humana ou a malformação de apenas um bebê – que pode nascer muito depois que nos formos – deve ser motivo de preocupação para todos nós. Nossos filhos e netos não são apenas estatísticas, às quais podemos ser indiferentes. A catástrofe de Chernobyl demonstra que a vontade da indústria nuclear em arriscar a saúde da humanidade e nosso ambiente, com usinas nucleares vai resultar, não só teoricamente, mas na prática, no mesmo nível de perigo que as armas nucleares.
Referências Chernobyl Forum (2005). Environmental Consequences of the Chernobyl Accident and Their Remediation: Twenty Years of Experience. Report of the UN Chernobyl Forum Expert Group “Environment” (EGE) Working Draft, August 2005 (IAEA, Vienna): 280 pp. (//www-pub.iaea.org/MTCD/publications/PDF/ Pub1239_web.pdf). Kennedy, J. F. (1963). Radio/TV address regarding the Nuclear Test Ban Treaty, July 26, 1963 (//www.ratical.org/radiation/inetSeries/ChernyThyrd.html). Mulev, St. (2008). Chernobyl’s continuing hazards. BBC News website, April 25, 17.25. GMT (//www.news.bbc.co.uk/1/hi/world/europe/4942828.stm). WHO (1959). Resolution World Health Assembly. Rez WHA 12–40, Art. 3, §1 (//www.resosol.org/InfoNuc/IN_DI.OMS_AIEA.htm). Conclusão do Capítulo IV Nos últimos dias da primavera e início do verão de 1986, radioatividade foi liberada da usina de Chernobyl e caiu sobre centenas de milhões de pessoas. Os níveis resultantes de radionuclídeos eram centenas de vezes maiores do que os da bomba atômica de Hiroshima. As vidas de dezenas de milhões foram destruídas. Hoje, mais de 6 milhões de pessoas vivem em terras com níveis perigosos de contaminação do solo – e continuarão contaminadas durante décadas ou até séculos. Então, perguntas pertinentes são: como viver e onde viver? Nos territórios contaminados pela precipitação de Chernobyl é impossível praticar a agricultura de forma segura; impossível trabalhar com segurança na silvicultura, na pesca e caça; e é perigoso usar produtos alimentares locais ou beber leite e até mesmo água. Aqueles que vivem nessas áreas perguntam como evitar a tragédia de um filho ou filha nascido com malformações causadas pela radiação. Logo após a catástrofe essas sérias questões surgiram entre as famílias dos liquidadores, frequentemente tarde demais para evitar a tragédia. Durante este tempo, complexas medidas para minimizar os riscos na agricultura e silvicultura foram desenvolvidos para aqueles que vivem nos territórios contaminados, incluindo a organização de proteção contra radiação individual, suporte para produção agrícola livre de radiação, e maneiras mais seguras na prática da silvicultura. A maioria dos esforços para ajudar as pessoas dos territórios contaminados são conduzidos por programas estatais. O problema com esses programas é a duplicidade de fornecer ajuda enquanto espera minimizar as acusações de que a precipitação radioativa de Chernobyl causou danos. Para simplificar a vida para aqueles que sofrem dos efeitos da radiação uma grande quantidade de trabalhos educacionais e organizacionais tem que ser feito para monitorar radionuclídeos incorporados, monitorar (sem exceções) todos os géneros alimentícios, determinar doses cumulativas individuais usando métodos objetivos e fornecer aconselhamento médico e genético, especialmente para crianças. Mais de 20 anos após a catástrofe, em virtude da migração natural de radionuclídeos, o perigo resultante nessas áreas não diminuiu, mas aumentou e continuará a crescer por muitos anos à frente. Assim, há a necessidade de expandir os programas para ajudar as pessoas que continuam sofrendo nos territórios contaminados, e isso exige assistência internacional, nacional, estadual e filantrópica.
Chernobyl : Quase 3 décadas de destruição e negligencia
Chernobyl : Quase 3 décadas de destruição e negligencia
Chernobyl : Quase 3 décadas de destruição e negligencia Resumo Em 26 de abril de 1986 aconteceu o desastre nuclear de Chernobyl. Chernobil,1 Chernóbil,2 Chernobyl,3 Tchernobil4 ou Tchernóbil2 (em ucraniano Чорнобиль, transl. Tchornobil)', hoje é uma cidade fantasma localizada no norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia.
No começo da década de 1970, foi erguida pela União Soviética uma central nuclear no noroeste da cidade. Entretanto, essa cidade não era a residência dos trabalhadores da usina. Quando a usina estava em construção, Pripyat, uma cidade maior e mais próxima da usina, foi projetada e construída como residência para os trabalhadores .Um reator da central de Chernobyl teve problemas técnicos e desprendeu uma nuvem radioativa contaminando pessoas, animais e o meio ambiente de uma ampla extensão de terra s. As vidas de dezenas de milhões foram destruídas.
Hoje, mais de 6 milhões de pessoas vivem em terras com níveis críticos de contaminação do solo – e continuarão contaminadas durante décadas ou até séculos. Então, as perguntas mais frequentes são: como viver e onde viver? Nos territórios contaminados, próximos de Chernobyl é impraticável a agricultura de forma segura; silvicultura, pesca e caça; e é arriscado usar produtos alimentares locais ou consumir leite e até mesmo água. União Soviética, 26 de abril de 1986, nos últimos dias da primavera e início do verão daquele ano, 1h23 pelo horário local. Em meio a lagos, terra arenosa e florestas nas estepes ao norte de Kiev, fica Chernobyl, que adquiriu notoriedade internacional quando, técnicos fizeram um teste em um dos quatro reatores de energia nuclear ali instalados.
Foi nesse momento que uma enorme tragédia nuclear aconteceu no Leste Europeu, desde este momento critico . O reator 4 da usina nuclear sofre um acréscimo de potência e o núcleo explode diversas vezes, liberando gás xenônio, metade da carga de iodo-131 e de césio-137 e pelo menos 5% do material radioativo remanescente. Em consequência uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma imensa bola de fogo anunciava a explosão do reator rico em Césio-137, aquele do acidente de Goiânia no Brasil , com uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear.
Sem um recipiente de contenção, o conteúdo radioativo foi carregado pelo ar sobre grandes porções da Europa, causando um pânico internacional. Em poucos minutos , liberou uma quantidade letal de material radioativo que contaminou uma quilométrica região atmosférica, na comparação , o acidente prejudicou uma área equivalente a um Portugal e meio, 140.000 quilômetros quadrados ,o material radioativo espalhado naquela ocasião era quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas no bombardeio às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. Por fim, uma nuvem negra de material radioativo se espalhava pela cidade ucraniana de Pripyat.
No período mediamente após a explosão, morrem 31 trabalhadores da usina, e milhares de outras pessoas que viviam na região que hoje faz parte da Ucrânia e da Bielorrússia receberam doses que radiação que encurtaram suas vidas. Cientistas divergem sobre o número de mortos. A Organização Mundial de saúde afirma que foram 4 mil. Os números do Greenpeace, que parecem notavelmente exagerados, falam em 200 mil. Para alguns especialistas, as dimensões calamitosas do acidente nuclear de Chernobyl poderiam ser minimizadas caso esse modelo de usina contasse com cúpulas de aço e cimento, resguardando o local. Sem ironizar a atitude do Governo Soviético , imediatamente após as primeiras ações de reparo, foi construído um “sarcófago” que isolou as ruínas do reator 4.
Enquanto isso, uma evidencia alarmante, a quantidade de óbitos e anomalias indicava os efeitos da tragédia nuclear. Os efeitos de Chernobyl atingiram milhões de pessoas. Outros milhares ainda enfrentam diariamente os efeitos, muito visíveis e dolorosos, da radiação liberada pelo desastre. Cinco milhões de hectares de terras foram inutilizados, e houve uma expressiva contaminação de florestas. Com a ciência do sinistro ocorrido, as autoridades soviéticas organizaram uma operação de limpeza composta por 600 mil operários.
Nesse mesmo tempo, helicópteros eram despachados para o foco central das explosões com carregamentos de areia e chumbo que deveriam debelar o furor das chamas. Para eles, o risco de um acidente igual era insuportável. Mas há usinas precárias nos antigos países socialistas que ainda ameaçam toda a vizinhança europeia. Para o acidente nuclear de Chernobyl, existem duas teorias oficiais: a primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, unicamente, aos operadores da usina. No ano de 1986, os operadores da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, realizaram um ensaio com o reator 4, com a finalidade de observar o desempenho do reator nuclear quando utilizado com baixos níveis de energia. contudo, os responsáveis pela unidade descumpriram varias regras de segurança imperativas.
O pior deslize dos servidores envolvidos no episódio , foi interromper a circulação do sistema hidráulico que controlava as temperaturas do reator, mesmo atuando com uma capacidade baixa, o reator entrou em um processo de superaquecimento impossibilitado de ser revertido em curto espaço de tempo. A segunda suposição foi publicada em 1991, e atribuiu o incidente a defeitos no projeto de controle do reator. Ambas as teorias foram fortemente apoiadas por distintos grupos científicos e o próprio governo. Mas o fato é que aconteceu foi o resultado somático das duas, sendo que a possibilidade de falha no reator foi exponencialmente agravada pela falha humana.
Procurando sanar definitivamente o problema da contaminação, uma equipe de projetistas hoje ,cogita na construção do Novo Confinamento de Segurança. O projeto consiste no desenvolvimento de uma colossal armação móvel que isolará definitivamente a usina nuclear de Chernobyl. Dessa forma, a área do solo contaminado será parcialmente isolada e a estrutura do sarcófago descartada. Apesar de todos esses esforços, estudos científicos revelam que a população atingida pelos altos níveis de radiação sofre uma série de enfermidades.
Além disso, os descendentes dos atingidos apresentam uma grande incidência de problemas congênitos e anomalias genéticas. Por meio dessas informações, vários ambientalistas se colocam radicalmente contra a construção de outras usinas nucleares A explosão de Chernobyl foi o pior acidente nuclear do mundo, e é o único classificado no nível sete da Escala Internacional de Eventos Nucleares. Os 25 anos do acidente, no mês que vem, certamente ganharão uma ressonância dramática, depois dos incêndios nos reatores de Fukushima, que ressuscitaram temores de que o pânico nuclear tome o planeta mais uma vez- embora o evento no Japão tenha sido classificado no nível cinco da escala. Níveis significativos de césio 137, estrôncio 90 e isótopos de plutônio ainda poluem o solo local. Em uma zona conhecida como Floresta Vermelha, chegou a um nível 20 vezes mais alto que o da contaminação de Hiroshima e Nagasaki, o que ainda é muito ameaçador.
Há um vasto lago artificial perto da usina principal, que fornecia água para esfriar os reatores. Depois da explosão, o lago foi contaminado por resíduos radioativos, que se assentaram em seu fundo. Hoje, bombas trazem água initerruptamente do rio Pripyat, na vizinhança, para impedir a evaporação do lago e a exposição de seus sedimentos tóxicos, que podem secar e ser espalhados pelo vento. A cidade de Pripyat que traz as recordações mais perturbadoras. Lá residiam 50 mil pessoas.
O reator 4 explodiu nas primeiras horas do dia 26 de abril, mas elas não foram informadas. Durante todo aquele dia, as crianças ficaram brincando fora de casa, apesar da fuligem radioativa a poucos quilômetros de distância. Havia boatos de um incêndio, mas pessoas haviam sido instruídas a crer que um acidente em um reator era impossível – até que chegasse uma frota de ônibus de tarde para tirar os moradores de lá. Disseram que poderiam voltar em alguns dias.
Eles nunca regressaram. As usinas nucleares, longe de darem uma total segurança, correm o risco de explosões causadoras de vazamento de substâncias radioativas. Os ecossistemas aquáticos são drasticamente ameaçados pelas enormes quantidades de água utilizadas para o resfriamento de reatores, que elevam a temperatura média da água do ambiente. Muitas vezes esta água devolvida para o ambiente pode ser radioativa o que constitui uma séria ameaça para a natureza. Na busca de soluções que venham prover as necessidades de energia, as sociedades aventuraram-se com a uso de usinas termonucleares. Muitos protegem a tal opção de geração de energia, assegurando que o risco de acidentes é infinitamente baixo. Mas estes mesmos que defendem tal alternativa, se esquecem de que quando um desastre nuclear acontece, normalmente as implicações são desastrosas. O gasto do acidente teve assombroso impacto nos orçamentos da Ucrânia e Bielorrússia.
Em 1998, a Ucrânia disse que já tinha gasto U$ 130 bilhões com a limpeza do local, e a Bielorrússia, outros U$ 35 bilhões. Cientistas asseguram que a radiação comprometerá a área pelos próximos 48 mil anos, embora daqui a 600 anos seja garantido repovoá-la com seres humanos, relata The Guardian. Nos primeiros 20 anos, o prejuízo econômico direto à Bielorrússia, Ucrânia e Rússia ultrapassou 500 bilhões de dólares. Para aliviar algumas das consequências, a Bielorrússia gasta cerca de 20% do seu orçamento anual nacional, a Ucrânia até 6% e a Rússia até 1%.
Para simplificar a vida para aqueles que sofrem dos efeitos da radiação uma grande quantidade de trabalhos educacionais e organizacionais tem que ser feito para monitorar radionuclídeos incorporados, monitorar (sem exceções) todos os géneros alimentícios, determinar doses cumulativas individuais usando métodos objetivos e fornecer aconselhamento médico e genético, especialmente para crianças. Mais de 20 anos após a calamidade, em virtude da migração natural de radionuclídeos, o perigo resultante nessas áreas não diminuiu, mas aumentou e continuará a crescer por muitos anos à frente.
Assim, há a necessidade de expandir os programas para ajudar as pessoas que continuam padecendo nos territórios contaminados, e isso exige auxílio internacional, nacional, estadual e filantrópica. Todo esse detrito atômico precisa ser armazenado por pelo menos mil anos, e os tanques precisam ser trocados a cada vinte anos por razões de segurança.
De acordo ainda o ecologista Chiavenato, qualquer animal vivo hoje na Terra tem traços de estrôncio-90 nos ossos, um composto resultante dos processos de industrialização nuclear. Atualmente existem mais de 400 usinas nucleares em operação no mundo, a maioria delas nos Estados Unidos, França, Inglaterra e países do Leste europeu. Também por "razões de segurança", quando acontece um acidente nuclear dificilmente são dadas todas as informações sobre o que ocorreu.
A não ser que o acidente seja de fato muito grave, como foi o da usina de Three Mile Island nos Estados Unidos em 1979 e o da usina de Chernobyl, na Rússia, em 1986. Mas mesmo nesses casos as autoridades tentaram num primeiro momento minimizar a gravidade da situação. Já no caso de acidentes nucleares em instalações militares, as informações que chegam ao público (quando chegam) são muito escassas. De qualquer forma, o que já ocorreu na segunda metade deste século em matéria de acidentes nucleares fornece uma boa amostra dos perigos a que a humanidade ficou exposta nas últimas décadas Em Chernobyl, depois do acidente, foram mobilizadas aproximadamente dois milhões de pessoas no processo de limpeza de toda a região atingida. Em abril de 1992, um comunicado oficial do governo estimava que o número de mortes naquele grupo, devido à radiação, situava-se entre 7 mil e 10 mil.
Três anos depois, em abril de 1995, o Ministério da Saúde ucraniano informava que mais de 125 mil pessoas haviam morrido entre 1988 e 1994, vítimas da radiação. Segundo o ministro Andrei Serdiuk, "a radiação repercutiu na piora generalizada da situação demográfica e do estado de saúde da população da Ucrânia; aumentaram as doenças no sangue, no sistema nervoso, nos órgãos digestivos e respiratórios." Ainda em julho de 1995, um relatório da CIA americana mostrou que em dez reatores ativos na Eslováquia, Lituânia, Rússia, Bulgária e Ucrânia, havia "grande probabilidade de ocorrer desastres nas dimensões do de Chernobyl". Na própria usina de Chernobyl foram detectadas 260 fissuras no sistema de resfriamento de um dos reatores em outubro de 1997; um porta-voz disse que "as trincas foram achadas a tempo de impedir vazamento de radioatividade."
Em 1996, a estimativa de mortes em razão do acidente, elaborada em conjunto pela Ucrânia e a Bielorrússia, já fora ajustada para 300 mil… O número total de pessoas contaminadas seria de cinco milhões, e a área inutilizada pela radiação era de cerca de 140 mil km², equivalente a um Portugal e meio. A OMS estima em 200 milhões de dólares o total de recursos necessários para se continuar investigando as consequências do acidente nuclear de Chernobyl nos próximos 15 anos.
Enquanto médicos e cientistas vão descobrindo mais efeitos danosos de Chernobyl, outros acidentes nucleares, de "menor monta", continuam a ocorrer em todo o planeta, ao mesmo tempo em que vêm à tona agora também notícias de acidentes até então desconhecidos. De acordo com o geneticista ucraniano Vyacheslav Konovalov, em algumas regiões próximas a Chernobyl até 80% de todos os animais nascem monstros mutantes, como potros de patas dianteira reduzidas em relação as traseiras e bezerros com duas cabeças. Algumas alterações tornam a divisão celular descontrolada e o resultado é o câncer. Já as modificações ocorridas nas células dos óvulos e dos espermatozoides podem ser repassadas aos descendentes dos animais; em alguns casos os efeitos são deformidades congênitas que podem acelerar a morte dos descendentes.
Diante de todos esses efeitos maléficos ,o que a ciência conseguiu encontrar até agora, após o desastre de Chernobyl. Pode-se apenas especular o que ocorreria de um acidente nuclear ainda mais grave, ou das explosões de algumas bombas de hidrogênio na atmosfera. Após o desastre de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, os países desenvolvidos desistiram de seus planos para a construção de novas usinas. A indústria nuclear passou duas décadas no Abandono.
A opção nuclear retornou à cena nos últimos anos como uma opção energética para enfrentar as alterações climáticas. A vantagem dos reatores é que não emitem gás carbônico, o principal causador do aquecimento global. No Brasil, porém, não está claro se essa é uma opção eficaz. Se a ideia é reduzir as emissões de gás carbônico, pesquisadores afirmam que o caminho poderia ser outro. A prioridade é reduzir o desmatamento da Amazônia, nossa principal fonte de emissão de gases de efeito estufa. As usinas nucleares , para o meio ambiente, podem ter outros impactos, ainda piores por causa do longo período de contaminação . Chernobyl inutilizou ainda 114 mil hectares de terra e 492 mil hectares de floresta, forçando 400 mil pessoas a abandonarem as suas habitações. Cientistas israelitas e ucranianos ,após análises com as crianças, que nasceram depois da explosão de Chernobyl , descobriram também evidências de que pequenas doses de radiação podem gerar mudanças no DNA humano e que estas transmitem-se para futuras gerações, os descendentes de pais que limparam o reator da central nuclear russa , constataram um grande aumento de mutações, que poderão ser de extensa duração, revelou o estudo.
O mesmo estudo também assinala que mais de 500 mil pessoas nas próximas gerações podem continuar a ser comprometidas pelo maior acidente do gênero da história da humanidade. Hoje, há uma área de exclusão de 30 km em torno de Chernobyl, o que não evita a visita constante de turistas – numa modalidade algo doentia de passeio. Ainda assim, muitos parecem facilmente se esquecer do acidente ou tratá-lo como algo corriqueiro e desconhecer o que grandes doses de radiação podem cometer com vidas humanas . A radiação ficará no local por 48 000 anos, mas em 600 anos talvez já seja possível repovoar a região. Países como a Eslováquia melhoraram a segurança das centrais.
Mas outros, como a Bulgária e a Ucrânia, por incrível que pareça, barganham para conseguir mais recursos financeiros uma espécie de ameaça com o próprio risco. Em abril de 1996, a Ucrânia recebeu dos sete países mais desenvolvidos do mundo uma proposta de 2,3 bilhões de dólares para fechar os reatores ativos de Chernobyl. Alegou que teria de indenizar a perda importando eletricidade e pediu 5 bilhões de dólares. Não houve negócio. Será difícil esquecer Chernobyl
No começo da década de 1970, foi erguida pela União Soviética uma central nuclear no noroeste da cidade. Entretanto, essa cidade não era a residência dos trabalhadores da usina. Quando a usina estava em construção, Pripyat, uma cidade maior e mais próxima da usina, foi projetada e construída como residência para os trabalhadores .Um reator da central de Chernobyl teve problemas técnicos e desprendeu uma nuvem radioativa contaminando pessoas, animais e o meio ambiente de uma ampla extensão de terra s. As vidas de dezenas de milhões foram destruídas.
Hoje, mais de 6 milhões de pessoas vivem em terras com níveis críticos de contaminação do solo – e continuarão contaminadas durante décadas ou até séculos. Então, as perguntas mais frequentes são: como viver e onde viver? Nos territórios contaminados, próximos de Chernobyl é impraticável a agricultura de forma segura; silvicultura, pesca e caça; e é arriscado usar produtos alimentares locais ou consumir leite e até mesmo água. União Soviética, 26 de abril de 1986, nos últimos dias da primavera e início do verão daquele ano, 1h23 pelo horário local. Em meio a lagos, terra arenosa e florestas nas estepes ao norte de Kiev, fica Chernobyl, que adquiriu notoriedade internacional quando, técnicos fizeram um teste em um dos quatro reatores de energia nuclear ali instalados.
Foi nesse momento que uma enorme tragédia nuclear aconteceu no Leste Europeu, desde este momento critico . O reator 4 da usina nuclear sofre um acréscimo de potência e o núcleo explode diversas vezes, liberando gás xenônio, metade da carga de iodo-131 e de césio-137 e pelo menos 5% do material radioativo remanescente. Em consequência uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma imensa bola de fogo anunciava a explosão do reator rico em Césio-137, aquele do acidente de Goiânia no Brasil , com uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear.
Sem um recipiente de contenção, o conteúdo radioativo foi carregado pelo ar sobre grandes porções da Europa, causando um pânico internacional. Em poucos minutos , liberou uma quantidade letal de material radioativo que contaminou uma quilométrica região atmosférica, na comparação , o acidente prejudicou uma área equivalente a um Portugal e meio, 140.000 quilômetros quadrados ,o material radioativo espalhado naquela ocasião era quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas no bombardeio às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. Por fim, uma nuvem negra de material radioativo se espalhava pela cidade ucraniana de Pripyat.
No período mediamente após a explosão, morrem 31 trabalhadores da usina, e milhares de outras pessoas que viviam na região que hoje faz parte da Ucrânia e da Bielorrússia receberam doses que radiação que encurtaram suas vidas. Cientistas divergem sobre o número de mortos. A Organização Mundial de saúde afirma que foram 4 mil. Os números do Greenpeace, que parecem notavelmente exagerados, falam em 200 mil. Para alguns especialistas, as dimensões calamitosas do acidente nuclear de Chernobyl poderiam ser minimizadas caso esse modelo de usina contasse com cúpulas de aço e cimento, resguardando o local. Sem ironizar a atitude do Governo Soviético , imediatamente após as primeiras ações de reparo, foi construído um “sarcófago” que isolou as ruínas do reator 4.
Enquanto isso, uma evidencia alarmante, a quantidade de óbitos e anomalias indicava os efeitos da tragédia nuclear. Os efeitos de Chernobyl atingiram milhões de pessoas. Outros milhares ainda enfrentam diariamente os efeitos, muito visíveis e dolorosos, da radiação liberada pelo desastre. Cinco milhões de hectares de terras foram inutilizados, e houve uma expressiva contaminação de florestas. Com a ciência do sinistro ocorrido, as autoridades soviéticas organizaram uma operação de limpeza composta por 600 mil operários.
Nesse mesmo tempo, helicópteros eram despachados para o foco central das explosões com carregamentos de areia e chumbo que deveriam debelar o furor das chamas. Para eles, o risco de um acidente igual era insuportável. Mas há usinas precárias nos antigos países socialistas que ainda ameaçam toda a vizinhança europeia. Para o acidente nuclear de Chernobyl, existem duas teorias oficiais: a primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, unicamente, aos operadores da usina. No ano de 1986, os operadores da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, realizaram um ensaio com o reator 4, com a finalidade de observar o desempenho do reator nuclear quando utilizado com baixos níveis de energia. contudo, os responsáveis pela unidade descumpriram varias regras de segurança imperativas.
O pior deslize dos servidores envolvidos no episódio , foi interromper a circulação do sistema hidráulico que controlava as temperaturas do reator, mesmo atuando com uma capacidade baixa, o reator entrou em um processo de superaquecimento impossibilitado de ser revertido em curto espaço de tempo. A segunda suposição foi publicada em 1991, e atribuiu o incidente a defeitos no projeto de controle do reator. Ambas as teorias foram fortemente apoiadas por distintos grupos científicos e o próprio governo. Mas o fato é que aconteceu foi o resultado somático das duas, sendo que a possibilidade de falha no reator foi exponencialmente agravada pela falha humana.
Procurando sanar definitivamente o problema da contaminação, uma equipe de projetistas hoje ,cogita na construção do Novo Confinamento de Segurança. O projeto consiste no desenvolvimento de uma colossal armação móvel que isolará definitivamente a usina nuclear de Chernobyl. Dessa forma, a área do solo contaminado será parcialmente isolada e a estrutura do sarcófago descartada. Apesar de todos esses esforços, estudos científicos revelam que a população atingida pelos altos níveis de radiação sofre uma série de enfermidades.
Além disso, os descendentes dos atingidos apresentam uma grande incidência de problemas congênitos e anomalias genéticas. Por meio dessas informações, vários ambientalistas se colocam radicalmente contra a construção de outras usinas nucleares A explosão de Chernobyl foi o pior acidente nuclear do mundo, e é o único classificado no nível sete da Escala Internacional de Eventos Nucleares. Os 25 anos do acidente, no mês que vem, certamente ganharão uma ressonância dramática, depois dos incêndios nos reatores de Fukushima, que ressuscitaram temores de que o pânico nuclear tome o planeta mais uma vez- embora o evento no Japão tenha sido classificado no nível cinco da escala. Níveis significativos de césio 137, estrôncio 90 e isótopos de plutônio ainda poluem o solo local. Em uma zona conhecida como Floresta Vermelha, chegou a um nível 20 vezes mais alto que o da contaminação de Hiroshima e Nagasaki, o que ainda é muito ameaçador.
Há um vasto lago artificial perto da usina principal, que fornecia água para esfriar os reatores. Depois da explosão, o lago foi contaminado por resíduos radioativos, que se assentaram em seu fundo. Hoje, bombas trazem água initerruptamente do rio Pripyat, na vizinhança, para impedir a evaporação do lago e a exposição de seus sedimentos tóxicos, que podem secar e ser espalhados pelo vento. A cidade de Pripyat que traz as recordações mais perturbadoras. Lá residiam 50 mil pessoas.
O reator 4 explodiu nas primeiras horas do dia 26 de abril, mas elas não foram informadas. Durante todo aquele dia, as crianças ficaram brincando fora de casa, apesar da fuligem radioativa a poucos quilômetros de distância. Havia boatos de um incêndio, mas pessoas haviam sido instruídas a crer que um acidente em um reator era impossível – até que chegasse uma frota de ônibus de tarde para tirar os moradores de lá. Disseram que poderiam voltar em alguns dias.
Eles nunca regressaram. As usinas nucleares, longe de darem uma total segurança, correm o risco de explosões causadoras de vazamento de substâncias radioativas. Os ecossistemas aquáticos são drasticamente ameaçados pelas enormes quantidades de água utilizadas para o resfriamento de reatores, que elevam a temperatura média da água do ambiente. Muitas vezes esta água devolvida para o ambiente pode ser radioativa o que constitui uma séria ameaça para a natureza. Na busca de soluções que venham prover as necessidades de energia, as sociedades aventuraram-se com a uso de usinas termonucleares. Muitos protegem a tal opção de geração de energia, assegurando que o risco de acidentes é infinitamente baixo. Mas estes mesmos que defendem tal alternativa, se esquecem de que quando um desastre nuclear acontece, normalmente as implicações são desastrosas. O gasto do acidente teve assombroso impacto nos orçamentos da Ucrânia e Bielorrússia.
Em 1998, a Ucrânia disse que já tinha gasto U$ 130 bilhões com a limpeza do local, e a Bielorrússia, outros U$ 35 bilhões. Cientistas asseguram que a radiação comprometerá a área pelos próximos 48 mil anos, embora daqui a 600 anos seja garantido repovoá-la com seres humanos, relata The Guardian. Nos primeiros 20 anos, o prejuízo econômico direto à Bielorrússia, Ucrânia e Rússia ultrapassou 500 bilhões de dólares. Para aliviar algumas das consequências, a Bielorrússia gasta cerca de 20% do seu orçamento anual nacional, a Ucrânia até 6% e a Rússia até 1%.
Para simplificar a vida para aqueles que sofrem dos efeitos da radiação uma grande quantidade de trabalhos educacionais e organizacionais tem que ser feito para monitorar radionuclídeos incorporados, monitorar (sem exceções) todos os géneros alimentícios, determinar doses cumulativas individuais usando métodos objetivos e fornecer aconselhamento médico e genético, especialmente para crianças. Mais de 20 anos após a calamidade, em virtude da migração natural de radionuclídeos, o perigo resultante nessas áreas não diminuiu, mas aumentou e continuará a crescer por muitos anos à frente.
Assim, há a necessidade de expandir os programas para ajudar as pessoas que continuam padecendo nos territórios contaminados, e isso exige auxílio internacional, nacional, estadual e filantrópica. Todo esse detrito atômico precisa ser armazenado por pelo menos mil anos, e os tanques precisam ser trocados a cada vinte anos por razões de segurança.
De acordo ainda o ecologista Chiavenato, qualquer animal vivo hoje na Terra tem traços de estrôncio-90 nos ossos, um composto resultante dos processos de industrialização nuclear. Atualmente existem mais de 400 usinas nucleares em operação no mundo, a maioria delas nos Estados Unidos, França, Inglaterra e países do Leste europeu. Também por "razões de segurança", quando acontece um acidente nuclear dificilmente são dadas todas as informações sobre o que ocorreu.
A não ser que o acidente seja de fato muito grave, como foi o da usina de Three Mile Island nos Estados Unidos em 1979 e o da usina de Chernobyl, na Rússia, em 1986. Mas mesmo nesses casos as autoridades tentaram num primeiro momento minimizar a gravidade da situação. Já no caso de acidentes nucleares em instalações militares, as informações que chegam ao público (quando chegam) são muito escassas. De qualquer forma, o que já ocorreu na segunda metade deste século em matéria de acidentes nucleares fornece uma boa amostra dos perigos a que a humanidade ficou exposta nas últimas décadas Em Chernobyl, depois do acidente, foram mobilizadas aproximadamente dois milhões de pessoas no processo de limpeza de toda a região atingida. Em abril de 1992, um comunicado oficial do governo estimava que o número de mortes naquele grupo, devido à radiação, situava-se entre 7 mil e 10 mil.
Três anos depois, em abril de 1995, o Ministério da Saúde ucraniano informava que mais de 125 mil pessoas haviam morrido entre 1988 e 1994, vítimas da radiação. Segundo o ministro Andrei Serdiuk, "a radiação repercutiu na piora generalizada da situação demográfica e do estado de saúde da população da Ucrânia; aumentaram as doenças no sangue, no sistema nervoso, nos órgãos digestivos e respiratórios." Ainda em julho de 1995, um relatório da CIA americana mostrou que em dez reatores ativos na Eslováquia, Lituânia, Rússia, Bulgária e Ucrânia, havia "grande probabilidade de ocorrer desastres nas dimensões do de Chernobyl". Na própria usina de Chernobyl foram detectadas 260 fissuras no sistema de resfriamento de um dos reatores em outubro de 1997; um porta-voz disse que "as trincas foram achadas a tempo de impedir vazamento de radioatividade."
Em 1996, a estimativa de mortes em razão do acidente, elaborada em conjunto pela Ucrânia e a Bielorrússia, já fora ajustada para 300 mil… O número total de pessoas contaminadas seria de cinco milhões, e a área inutilizada pela radiação era de cerca de 140 mil km², equivalente a um Portugal e meio. A OMS estima em 200 milhões de dólares o total de recursos necessários para se continuar investigando as consequências do acidente nuclear de Chernobyl nos próximos 15 anos.
Enquanto médicos e cientistas vão descobrindo mais efeitos danosos de Chernobyl, outros acidentes nucleares, de "menor monta", continuam a ocorrer em todo o planeta, ao mesmo tempo em que vêm à tona agora também notícias de acidentes até então desconhecidos. De acordo com o geneticista ucraniano Vyacheslav Konovalov, em algumas regiões próximas a Chernobyl até 80% de todos os animais nascem monstros mutantes, como potros de patas dianteira reduzidas em relação as traseiras e bezerros com duas cabeças. Algumas alterações tornam a divisão celular descontrolada e o resultado é o câncer. Já as modificações ocorridas nas células dos óvulos e dos espermatozoides podem ser repassadas aos descendentes dos animais; em alguns casos os efeitos são deformidades congênitas que podem acelerar a morte dos descendentes.
Diante de todos esses efeitos maléficos ,o que a ciência conseguiu encontrar até agora, após o desastre de Chernobyl. Pode-se apenas especular o que ocorreria de um acidente nuclear ainda mais grave, ou das explosões de algumas bombas de hidrogênio na atmosfera. Após o desastre de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, os países desenvolvidos desistiram de seus planos para a construção de novas usinas. A indústria nuclear passou duas décadas no Abandono.
A opção nuclear retornou à cena nos últimos anos como uma opção energética para enfrentar as alterações climáticas. A vantagem dos reatores é que não emitem gás carbônico, o principal causador do aquecimento global. No Brasil, porém, não está claro se essa é uma opção eficaz. Se a ideia é reduzir as emissões de gás carbônico, pesquisadores afirmam que o caminho poderia ser outro. A prioridade é reduzir o desmatamento da Amazônia, nossa principal fonte de emissão de gases de efeito estufa. As usinas nucleares , para o meio ambiente, podem ter outros impactos, ainda piores por causa do longo período de contaminação . Chernobyl inutilizou ainda 114 mil hectares de terra e 492 mil hectares de floresta, forçando 400 mil pessoas a abandonarem as suas habitações. Cientistas israelitas e ucranianos ,após análises com as crianças, que nasceram depois da explosão de Chernobyl , descobriram também evidências de que pequenas doses de radiação podem gerar mudanças no DNA humano e que estas transmitem-se para futuras gerações, os descendentes de pais que limparam o reator da central nuclear russa , constataram um grande aumento de mutações, que poderão ser de extensa duração, revelou o estudo.
O mesmo estudo também assinala que mais de 500 mil pessoas nas próximas gerações podem continuar a ser comprometidas pelo maior acidente do gênero da história da humanidade. Hoje, há uma área de exclusão de 30 km em torno de Chernobyl, o que não evita a visita constante de turistas – numa modalidade algo doentia de passeio. Ainda assim, muitos parecem facilmente se esquecer do acidente ou tratá-lo como algo corriqueiro e desconhecer o que grandes doses de radiação podem cometer com vidas humanas . A radiação ficará no local por 48 000 anos, mas em 600 anos talvez já seja possível repovoar a região. Países como a Eslováquia melhoraram a segurança das centrais.
Mas outros, como a Bulgária e a Ucrânia, por incrível que pareça, barganham para conseguir mais recursos financeiros uma espécie de ameaça com o próprio risco. Em abril de 1996, a Ucrânia recebeu dos sete países mais desenvolvidos do mundo uma proposta de 2,3 bilhões de dólares para fechar os reatores ativos de Chernobyl. Alegou que teria de indenizar a perda importando eletricidade e pediu 5 bilhões de dólares. Não houve negócio. Será difícil esquecer Chernobyl
Uma Lição de Heroicos Sobreviventes
Uma Lição de Heroicos Sobreviventes
Resumo
Antes de serem comemorados os 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial , devemos nos questionar , era necessário causar tanto horror? Existem somente os créditos e glorias para os vencedores , mas os derrotados que superaram as adversidades como devemos considera-los?
Em 2 de setembro de 2015, será comemorado 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial, com a assinatura do armistício efetuada no navio de guerra USS Missouri , para muitos um fato de grandes feitos heroicos e Históricos , para os derrotados resta lembrar da profunda tristeza e dor, este é caso dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, vendo sobre a ótica deste indivíduos , o que devem perceber o que deve ser realmente comemorado , o final da Guerra , mas não os resultados dos vencidos ,se fossemos um hibakusha qual seria nosso real sentimento, caro leitor?
Os hibakusha (被 爆 者) são assim chamados os sobreviventes de bombardeamento, uma palavra japonesa que traduzida literalmente por "pessoas atingidas por bomba”.
Sendo historiador Peter Kuznick, da American University, em Washington, afirma, que os sobreviventes se repartem em dois seguimentos distintos: os que escolhem ocultar as histórias por temer o preconceito e o desprezo na hora de conseguir emprego, formar uma família , descendentes, como as etnias discriminadas como os "burakumin" ou "eta-hinin”, para os tradicionalistas nipônicos . No outro, são os que preferem relatar o que foi visto, destacando a expressão japonesa: “É preciso contar a grande verdade, que nunca pode ser esquecida.”
Os exemplos de superação de vida demonstrados a seguir , servem para refletir sobre nossas convicções a respeito do tema , para podemos mudar nossas opiniões ,sobre o certo e o errado.
Em 2006 estima-se que havia cerca de 266.000 hibakusha ainda vivendo no Japão e que 118 hibakusha vivam no Brasil, vitimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.
O sobrevivente de Hiroshima: Takashi Morita
Era a manhã de 6 de agosto de 1945 , às 8h15min,quando o avião Enola Gay , B-29 americano havia lançado uma bomba atômica de poder equivalente a 12.000 toneladas de explosivos. Dos 350 mil habitantes da cidade, 140 mil morreram por conta da bomba — e milhares de outras pessoas morreriam ao longo das décadas em razão da radiação ,estimam-se em 90% de edifícios danificados ou completamente destruídos. Para os sobreviventes , além da memória daquele fatídico dia, que labuta com as cicatrizes das queimaduras e os vestígios da radioatividade expostos.
Um destes sobreviventes é Takashi Morita, que naquela época tinha 21 anos de idade e membro da Polícia Militar japonesa, cumprindo designação já havia dois dias em Hiroshima, a qual ainda não tinha sido bombardeada como outras cidades nipônicas. No momento da explosão , ele estava a apenas 1,3 quilômetro do ponto de detonação do artefato .
Morita estava fardado o que minimizou seu ferimento e virado em posição contraria, que evitou que ficasse cego , em um dia muito bonito e ensolarado , fazia muito calor e os civis usavam regatas e shorts, que deixavam o corpo exposto a queimaduras, com muitas crianças na rua brincando, foi sua lembrança daquele momento .
Devido à onda de choque ele foi empurrado para longe, ao levantar viu um brilho forte, Ao seu redor, a maioria morreu, mas sobreviveu como várias pessoas, inclusive crianças, que gritavam por socorro. O terror e pânico eram absolutos, todos ao seu redor sem ideia do que estava acontecendo, Morita, teve apenas queimaduras fortes no pescoço. Ficou pelas ruas demolidas de Hiroshima .
Sua única preocupação era socorrer a vida de quem pudesse, chegando até a realizar um parto em plena rua, continuo seguindo aquele rastro de aniquilamento, depois de dois dias é que foi tratar dos ferimentos que já estavam infeccionados na nuca, diferente dele, seus 12 companheiros de quartel não tiveram a mesma sorte e morreram .
Depois, veio à chuva negra . Desesperadas com sede, muitas as pessoas engoliam a radiação negra que vinha das nuvens porque entendiam que aquilo iria acabar a sede que sentiam, por Morita ter evitado se alimentar e beber agua , estes foram os diferenciais, que o auxiliaram sua sobrevivência.
Takashi Morita em 1956, veio para migrou para o Brasil, vivendo em São Paulo, onde virou comerciante, com a família. Em 1984 fundou, e passou a dirigir, duas a Associações de amparo das Vítimas de Bomba Atômica no Brasil que reivindicam assistência do governo japonês para os sobreviventes que vivem no Brasil , sendo presidente da Associação Hibakusha Brasil pela Paz, outra entidade que age há anos para convencer o governo japonês a aumentar a ajuda aos sobreviventes dos ataques sobre Hiroshima e Nagasaki que não moram mais no Japão, espalhados pelo mundo.
O Sobrevivente de Nagasaki : Osamu Shimomura
De acordo com algumas das estimativas, cerca de 40.000 dos 240.000 habitantes de Nagasaki foram mortos , e entre 25.000 a 60.000 ficaram feridos. No entanto, acredita- se que o número total de habitantes mortos poderá ter atingido os 80.000, incluindo aqueles que morreram, nos meses posteriores, devido a envenenamento radiativo.
Em 7 de agosto de 1945, quando viu reportagens sobre o que acontecera a cidade de Hiroshima e tinha sido completamente destruída por um novo tipo de bomba; não se sabia qual o tipo, Osamu Shimomura era um aluno do colegial de 16 anos que trabalhava numa fábrica a 12 quilômetros de Nagasaki.
Dois dias depois, pouco antes de 11 horas da manhã, do dia 9 de agosto de 1945 , quando uma sirene soou na fábrica Isahaya, notificando-nos de um ataque aéreo. Como era de seu costume, ao invés de entrar em um bunker, Osamu foi para o topo de uma colina próxima, com um casal de amigos e olhando para o céu, viram um único B-29 que ia do norte para o sul para Nagasaki, a cerca de 15 km de distância, pensando que aquela rota era incomum. O B-29 lançou dois ou três paraquedas e ouvindo depois tiros esporádicos, continuou observar com atenção, não vi pessoas ligadas aos paraquedas.
Dentro de alguns minutos, outro B-29 seguiu a primeira, e uma sirene soou o "tudo claro" sinal. Voltando com o casal de amigos ao edifício da fábrica, no momento em que se sentou cadeira de trabalho, um poderoso flash de luz veio através das pequenas janelas, ficando cegos por cerca de 30 segundos, após o flash, um som alto de uma enorme explosão em algum lugar, sem poder ser direcionada sua origem .
O céu rapidamente estava se enchendo de nuvens escuras, e quando saiu da fábrica a pé para casa, cerca de três quilômetros de distância, começou a chuviscar, uma chuva negra. No momento em que chegou a casa, sua camisa branca tinha virado cinza.
Sua avó rapidamente lhe preparou um banho, esse banho poderia provavelmente ser o diferencial de tê-lo salvo dos efeitos nocivos da radiação forte que supostamente existia na chuva negra . Na manha seguinte, dia 10 de agosto seu chefe na fábrica organizou um grupo de resgate, ele também mencionou que houve danos sérios em Nagasaki, mas os detalhes eram desconhecidos Tentamos entrar Nagasaki, mas não conseguiu porque as estradas e ferrovia eram intransitáveis. No final da tarde, a ferrovia foi restaurada a Michinoo, perto da estação de Nagasaki, e as equipes de resgate começaram a transportar os feridos para Isahaya e outras cidades.
Em 15 de agosto, em uma transmissão de rádio, o imperador Hirohito declarou rendição incondicional. Sendo esta a primeira vez que a maioria dos cidadãos japoneses tinha ouvido a voz do imperador. Acho que houve um sentimento generalizado de alívio, e também o medo de um futuro incerto, sobre os efeitos das bombas atômicas . Muitos anos se passaram antes que tivéssemos mais informações detalhadas sobre as bombas atômicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Mesmo que o uso da bomba de Hiroshima fosse justificável , como ideal militar americano , a fim de precipitar o fim da guerra, a bomba lançada sobre Nagasaki três dias depois foi claramente um teste de novas armas, demonstrado poderio de destruição .
Após a 2ª Segunda Guerra Mundial , continuou Nagasaki, Shimomura, para terminar seus estudos , agora um químico vencedor do prêmio Nobel, em 2008, ele diz que não costuma pensar nos eventos, pois é preciso continuar a viver , suas pesquisas são para benefício da humanidade.
Como vimos duas pessoas inocentes que nem estavam no campo de batalha na época da guerra, que não haviam matado ninguém , como os demais habitantes de suas cidades .
Termino com a seguinte pergunta : “O fim justifica o meio, o resultado vale a pena ser comemorado , como fato ou ato heroico ?”
Artigo disponível no site Active File somente no internet explorer e edge , autor Luiz Lucas de Almeida Filho - Linkedin
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Sobre as explosões de Hiroshima e Nagasaki
Documentáro Sobre a Catastrófe das Bombas em Hiroshima e Nagasaki
Documentário Luz Branca /Chuva Negra
Wikipedia Bombardeios de Hiroshima e Nagasaki
Gen: Pés descalços em espanhol
Doc : Hiroshima - O Dia Seguinte " Completo e Dublado "
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